Fisiologia e comportamentos: a unidade psicofísica

Uma das premissas mais fundamentais que alicerça o pensamento da Leitura Corporal é a compreensão do mundo orgânico (as células, os órgãos, os sistemas, as funcionalidades e as patologias) em sua íntima relação com os conteúdos emocionais e psíquicos que habitam a dimensão sensível do Ser Humano – dimensão essa tão viva e perceptível, por cada indivíduo, como é um coração pulsante.

Essa premissa embasa a noção de que não há, nos processos de adoecimento e de reorganização da saúde, nenhum componente de aleatoriedade. As variações fisiológicas que atravessam a funcionalidade normal do organismo são plenas de sentido e encontram sua origem nas relações que o indivíduo estabelece com seus sentires.

Por exemplo: as desordens nasais são sintomas que a Leitura Corporal associa à escolha, seja pela razão que for, por não atender-se nas pulsões do envolvimento. O indivíduo que faz sinusites recorrentes provavelmente se esforça muito para não deixar transparecer o tanto que ele deseja participar de algo que muito lhe atrai. Assim como as rinites contam de dificuldades relacionadas ao ato de fazer-se incluso naquilo que se quer, levando ao hábito da retirada de si e da espera pelo convite.

Outro exemplo: o coração é considerado o Centro da Emocionalização.  Sua função é organizar a expressão e a lida com todas as qualidades de afeto que se possa experimentar. Quanto mais o indivíduo se contém em sua emocionalidade, construindo performances de indiferença frente àquilo que em verdade o mobiliza, mais predisposto ele vai se tornando às desordens cardíacas.

Os sintomas e os adoecimentos que perpassam e se instalam em cada indivíduo guardam relações profundas com suas atitudes e padrões de comportamento. Ainda que a doença seja provocada por agentes externos, como um patógeno, a qualidade da resposta do organismo a esse agente é fruto das relações que o indivíduo vem tecendo consigo, no momento atual ou por uma vida inteira. Afinal, qualquer que seja o estímulo externo, é o estado global do organismo e a habilidade de se reorganizar que definem a intensidade do processo de adoecimento e de cura.

Tomar consciência dos atos que contradizem, que negam ou se desviam das pulsões pessoais é o primeiro passo para o fortalecimento tanto orgânico, quanto psíquico. O segundo, e mais importante, é a quebra de padrões com o experimento de novas atitudes. Fisiologia e psiquismo se espelham, formam uma unidade, e convidam-se à constante revitalização dos comportamentos.