Rinite: pertencer e partilhar

Para a Leitura Corporal, todas as desordens do nariz interno têm como propósito estimular um bom aproveitamento da condição de envolvido. Se a rinite se faz presente, é sinal de que se está muito desejoso de participar de um movimento, de entrar em uma conversa, de ingressar em uma relação, de estar ao lado de. Porém, junto com o desejo, o indivíduo experimenta também conflitos, seja pela negação da vontade de tornar-se parte ou pela dificuldade em se fazer incluso.

Então, a primeira proposta da rinite é estimular que o indivíduo se permita envolver-se, pois envolvido já está. Sua presença ativa a percepção, a validação e a manifestação dessa condição. Ao limpar os canais para o envolvimento, a rinite enfraquece a capacidade de mostrar-se indiferente ou desinteressado, ajudando o indivíduo a se colocar na linha de frente daquilo que o envolve.

A rinite tem também a função de auxiliar no processamento do sentimento de exclusão, quando o indivíduo experimenta a sensação de ter sido posto à parte de algo que assumiu como desejo. Nessas circunstâncias, a rinite atua trazendo a consciência de que , se o externo de alguma forma exclui, é porque ainda não se encontrou uma forma autêntica de participar, de influenciar, de tornar-se parte. Afinal, são muitas as portas de entrada, e se não foi por um caminho, há de ser por outro.

A rinite é um antídoto para a tentativa de convencimento de que “eu me basto sozinho”. Saber estar consigo e usufruir da própria companhia é uma coisa. Diferente disso é a crença de que se vive muito bem sem estar compartilhando ou vivendo relações de proximidade.

Em tempos em que a tendência ao isolamento de intensifica, tornando-se cada vez mais raras as manifestações, ao vivo e a cores, do envolvimento verdadeiro, a presença da rinite é uma santa lembrança, e uma bela ajuda, para que os indivíduos se permitam aflorar em sua natureza social, reconhecendo e honrando a importância de todos os outros.