Pressão alta: permitir-se a própria poesia

A Leitura Corporal entende o afeto como todo e qualquer sentir do aqui e agora. São afetos as sensações imediatas suscitadas pela maneira como o indivíduo, em um dado momento, significa suas experiências, seus objetos e suas relações.

Quando os afetos imediatos duram um pouco mais, fazendo-se transitórios, chamamo-nos de emoções. E as emoções, ao se prolongarem, assumem o contorno de um sentimento. O que não quer dizer que os sentires, ao se fazerem duradouros, se tornem estáticos – a presença dos afetos garante que a cada nova experiência se vive uma nuance da emoção, uma variação do sentimento, de tal forma que um “mesmo” estado psíquico pode se fazer diverso.

Aos olhos da Leitura Corporal, um indivíduo afetivo é aquele que reage às situações vividas em consonância com os afetos do momento. Ser afetivo significa permitir-se responder às situações considerando o que se sente. E essa atitude afetiva é um manancial de saúde para a atividade cardíaca.

A pressão alta é uma manifestação que trata a dificuldade para viver e representar a afetividade. Ela só acontece em um espírito romântico, que experimenta infinitas emoções, mas impõe para si uma leitura prática das mesmas, um padrão de significação e de atuação que não condizem com sua autêntica variação de afetos.

Para ser hipertenso, é preciso ser poeta e negar a própria poesia. Com o aumento da pressão arterial, o indivíduo é estimulado a se deixar influenciar pelo que sente, permitindo-se atuar, no mundo lá fora, com todo o romantismo que existe dentro.