Gases: livre circulação dos afetos

Muitas das representações afetivas praticadas pela humanidade tomam como referência as formas de expressão socialmente aceitas e aprendidas. É habitual o exercício da censura dos afetos que não cumprem com aquilo que é autorizado pelo externo ou que não condizem com as crenças do indivíduo em relação ao que se pode ou se deve sentir.

Mas, a despeito do quanto o indivíduo se permite sentir o que em verdade sente, suas emoções genuínas continuam circulando pelo organismo, sendo necessário ao Corpo Físico lidar com os afetos que se fazem pouco ou nada manifestos. Aos olhos da Leitura Corporal, a formação aumentada de gases é o recurso através do qual o organismo mantém ativos os sentires autênticos, para que possam ser reconhecidos, validados e representados.

Assim, a produção incômoda e barulhenta de gases tem a proposta facilitar a fluência da circulação dos afetos. Os gases convidam o indivíduo a entrar em contato com a verdade daquilo que sente, sem a aplicação de quaisquer preconceitos, críticas ou julgamentos. Afinal, sentimento é uma coisa que não se questiona. Sentimentos simplesmente são, e podem sempre ser elaborados, refinados e transformados, desde que sejam aceitos, manifestos e compreendidos.