Câncer: apropriação do que é próprio

Muitas vezes à revelia daquilo que aceitamos, em cada um de nós habitam desejos e sentires que simplesmente são ou ali estão. Somos constituídos por características e movidos por uma força que nos impulsiona para certas direções, que acolhe e que repele possibilidades e que nos fazer querer manifestar e desenvolver um movimento próprio.

Essa energia motriz é tão forte que, para ser negada, requer do indivíduo um esforço imenso, principalmente quando o que está sendo sentido e visto é desconsiderado como próprio.  Aos olhos da Leitura Corporal, esse exercício de contradizer a própria natureza cria as bases para todo tipo de manifestação cancerígena. (Leia mais

As células carregam informações que precisam ser lidas e validadas para que o indivíduo possa colocar-se na vida de uma forma verdadeiramente satisfatória. O câncer é uma multiplicação de informes, uma ampliação de possibilidades de leituras e de traduções fidedignas das pulsões pessoais. É um esforço orgânico contrário à escolha por negligenciar a si, com a proposta de favorecer os processos de apropriação do que é próprio e do autodesenvolvimento a partir da posse reconhecida e assumida dos atributos, sentimentos, querências e necessidades pessoais.

Cada órgão do corpo tem o seu assunto e as manifestações cancerígenas sinalizam os temas que para o indivíduo são de importância vital.  O câncer de fígado, por exemplo, desenvolve o direito de estar insatisfeito, em desgosto, e estimula a autonomia para a resposta. O câncer de mama impulsiona a retomada dos anseios e intentos pessoais que, embora não puderam ser realizados no momento em que surgiram, permanecem vivos e ávidos pela concretização. No câncer de próstata, está sendo tratado o sentimento de não ter sido o provedor que se projetou ser, através do incentivo ao reconhecimento das necessidades dos outros que foram sim atendidas e, o mais importante, da validação da disposição e da capacidade pessoal para prover diferentes ordens de sustento.

Ainda somos uma humanidade que muito se afasta daquilo que, em cada indivíduo, nos constitui em cada momento. Tendo o corpo o compromisso de nos colocar cada vez mais próximos da nossa verdade, ele vai se transformando, se manifestando, criando sintomas que aproximam cada um de sua história. Por isso a Leitura Corporal acredita que o câncer não mata– seu trabalho é movimentar a energia de vida, conduzindo o indivíduo à honestidade consigo e ao encontro daquilo que motiva e satisfaz sua existência.