Autoconstrição: ombros fechados e desordens do coração

Constringir significa apertar, estreitar, comprimir. Quando o indivíduo fecha seus ombros – os seus Centros de Organização da Expressividade – ele estreita o curso de seus impulsos de expressão, constringindo o alcance de sua própria ação no mundo.

Aos olhos da Leitura Corporal, a atitude recorrente da autoconstrição é a principal causa das patologias cardíacas. Para o coração é essencial que, sem que haja exposição desnecessária, o indivíduo encontre alguma maneira de deixar transparecer todo e qualquer afeto que exista dentro dele e do qual se tenha consciência. O coração não adoece por conta de impulsos ainda desconhecidos. Suas insuficiências estão ligadas à escolha por não representar aquilo que é bem sabido.

As desordens cardíacas evoluem a partir do mesmo sentimento que dá início à postura de fechamento do ombro, que é a autoconstrição. E em geral existem duas razões para tal: o medo da crítica e o compromisso de ser adequado e de estar sempre conforme aquilo que o outro espera.

Portanto, para que possamos desenvolver-nos e aprofundar-nos no processo de amorização das relações e da humanidade, é preciso sustentar os ombros abertos, permitindo a passagem de todas as pulsões do afeto.

Assim fazendo e descobrindo os espaços legítimos de expressão, aprendemos também a receber os outros sem tantas críticas e julgamentos. Se cada um puder se representar com tranquilidade e em coerência com seus sentires, não haverá motivos para adoecimentos cardíacos.

Afinal amar a si e ao outro é, antes de qualquer coisa, aceitar o que existe e fazer-se manifesto de verdade e com verdade.